10 de outubro de 2009

Prolegômenos

Eu gosto desta palavra e a uso sempre que possível. Prolegômenos nada mais é do que, "aquilo que vem antes", "introdução geral e um tanto quanto extensa" é como um prefácio, um preâmbulo, uma preliminar entre outras tantas palavras que temos para dizer a mesma coisa. Mas enfim... gosto de prolegômenos por ser a menos conhecida. E eu gosto de ser incomum.

Na verdade este não é um prolegômeno, porque não estou cá escrevendo uma obra e sim uma apresentação, de quem sou, de quem fui, dos meus ideais, porque resolvi fazer este blog etc etc etc.

Quem me vê hoje, bunitinha e arrumadinha não pode sequer pensar de que há algum tempo atrás eu era @punk, contra-cultura e subversão na veia. Cabelos verdes, depois lilás e depois azuis.... azuis da cor do céu - que me acompanharam durante longos 10 anos de minha vida. Houve pessoas que não me viram diferente. E as de hoje não me imaginam como fui outrora.

Aprendi a ler "na pré-escola é claro"..... mas aprendi a degustar a leitura, a sistematizar o pensamento, a discernir ...... dentro do movimento @punk. Abre parêntesis (o @ antes do punk indica um grupo totalmente diferente do simplesmente punk - os anarco-punks, @punk ou punks anarquistas é um movimento contracultural - nada tem a ver com esses grupinhos da moda de cabelinhos pintados com tintinha importada que papai paga e mamãe pinta) fecha parêntesis.

Comecei minha tragetória de subversão aos 13 anos de idade. Abre parêntesis de novo (que minha filha não faça isso..... não veja isso..... e que não saiba deste passado da mamys dela.... ) rs..rs. Primeiro point de encontro: Luz - junto à tudo que pude na minha tenra pré-adolescência ver de mais sub-humano. De cara conheço uma punk alemã de corpo pintado, seios a mostra e piercings por tudo quanto é lado.... obóvio... amei. Discutíamos sobre tudo.... atualidades, política, música, religião......

Daí fui........ punk, anarquista, feminista, anti-racista, ecologista, educadora social.....  atuei de norte a sul do país, conheci o nordeste, morei no sul - fiz amigos pelo Brasil e mundo afora.

Hoje, a idade Balzac'ana me exige posição mais madura, mas não esqueço os tempos da "tchurma" e do que aprendi. Não tenho mais o tempo nescessário para atuação social, pois para quem não sabe - atuação social de verdade é deveras cansativo e toma um tempão da gente. Continuo - sempre - "immer", com sede de aprender, de questionar, de subverter... (adoraria ter meus cabelos azuis de novo.... desabafo!!)

Este é o princícpio deste blog. Um canal que vou - tentar - utilizar para desafogar os pensamentos e interagir com os subversores da ordem mundial.

Não sei ainda como será o perfil dele. Talvez eu publique apenas textos meus... talvez eu faça um 'pout-pourri' de coisas que achei interessante e por aí vai.

De cara, o post inicial não podia ser diferente de Nietzsche - O Eterno Retorno, meu filósofo de cabeceira, em um de seus assuntos mais polêmicos. Será que existe um assunto mais polêmico dentro dos assuntos de Nietzsche ?

Bom, que assim seja. Sejam todos bem vindos.

Ewige Wiederkunft - O Eterno Retorno

"E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: "Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência - e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez - e tu com ela, poeirinha da poeira!". Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: "Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!" Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: "Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?" pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?"

A Gaia Ciência -  F. Nietzsche